segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

 A ti, minha Pini.

Sabia eu que te desejava, desde há tempos, mas nunca imaginaria o cenário deste teu/nosso primeiro ano.

Daqui a poucas horas contam-se 365 dias, foi perto das duas da madrugada, de um dia de confinamento (pandemia), que deste os primeiros sinais de querer nascer e vir conhecer este mundo que tem andado num reboliço. Eu não tinha sono, a barriga já tinha o seu volume, a inconstância das posições, a ansiedade da reta final e uma temperatura sempre alta, fizeram-me tomar ar na varandinha, beber chá. O ar trouxe o primeiro sinal, aquele balão a rebentar e as dúvidas daí, a calma que desejava veio também, tratei de mim para poder tratar de nós e com a ajuda do pai fomos para o hospital e daí todo o desenrolar natural, ou o mais perto disso que pude ter. Foste rápida e prática e chegaste numa madrugada de um belo dia de sol, o dia que escolheste, o dia do Amor.

Trouxeste contigo a magia da vida e o deste-me a conhecer o amor no estado mais puro e também duro que é a maternidade.

Tens-me dado, desde o dia em que s
oube que estavas em mim, acesso ao conhecimento mais profundo do meu corpo, da mulher, e da incrível capacidade que nele habita.

O prazer de te ver crescer, de participar das tuas conquistas são aquilo que mais bonito já vi no mundo, um mundo que sempre gostei de conhecer e explorar e que espero que gostes também. 

És uma linda menina, corajosa, decidida, comilona, doce, comunicativa, sociável e o que mais gosto e aprecio em ti...essa alegria e boa disposição. Sinto-te minha cúmplice desde os primeiros dias que estivemos só nós a lutar pelo nosso caminho, sussurrava-te ao ouvido e sei que me ouviste sempre.

Escrevia um livro só deste ano, dos dias e noites que passámos as duas, os três, dos desafios que descobrimos juntos e que conseguimos ultrapassar, do orgulho que é podermos acreditar em nós mesmos e o que isso nos traz. 

Mudaste a minha vida, roubas-me a maioria do tempo, do sono, da energia e dás-me, todos os dias sem exceção a certeza de que foste a melhor coisa que me aconteceu.

Acho que agora, há um ano, que o dia mais importante do ano é o dia 14 de fevereiro.


Parabéns filha💓



terça-feira, 15 de outubro de 2019

2 meses e um dia

   Nunca a palavra saudade tinha feito tanto sentido. Sabia que a saudade era a palavra portuguesa, sabia que ficava bem no fado e nas cartas de amor, que era o voltar a casa e o desejo de estar. Só não sabia que era a eternidade do gostar muito e saber nunca mais tocar.
   Vives em saudade dentro de mim, todos os dias! Foste minha amiga, foste minha mãe, foste a minha costureira, cozinheira, professora, companhia, confidente, conselheira, foste o meu colo, foste o meu abrigo e o meu ninho. Foste a pessoa mais sensata, apaziguadora, doce e leve que conheci, nunca me desiludiste, nunca. A tua paciência não teve fim, inigualável é assim que te recordo.
   O dia que tanto temi havia chegado e estavas naquela casa, de sempre e para sempre a minha casa de eleição, ali tinha a paz e os mimos da minha infância, os cheiros, as melhores memórias. O cheiro da cera aos sábados, a melhor comida do mundo, o leite condensado nas latas, as gomas que me esperavam à sexta, a minha tia a dormir, para respeitar. As minhas histórias avó, que saudades da "menina que já levar o almoço ao pai", a tesoura pendurada, aberta e os ralhetes da neta.
Aquelas fitas de baloiço, a mesa da sala, as mantas brancas na festa, a luz que acendia a qualquer hora que fosse que se fizesse chegar o meu carro.
   Sempre soube o que eras para mim, nenhuma de nós precisou nunca de dizer muita coisa para sentir.
    Viverei sempre com a maior saudade de ti e desse colo de infindável conforto, minha mãe mais velha.
   O maior abraço do mundo é para ti.
 
♥️


segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Flores

Custou.te a digerir que eu podia ter alguma coisa em mim por resolver ou custou te digerir que ias ter de enfrentar isto ao meu lado e o amor que não sentias não deixou?
Custou.t digerir que a tua namorada precisava de cuidados e atenção, como qualquer uma, numa relação e tu não tinhas vontade?
Custou.te digerir que tinhas uma pessoa que gostava de ti e sentis.te que não gostavas dela?
Fraquejaste num momento tão duro e tão importante, fugiste do amor que tinha por ti?
Que mal te fiz eu? Abrir.te a minha vida toda,  cabeça e coração ao invés de mostrar só as páginas doces e coloridas que tenho?
Estava tão feliz por te ver, cheia de vontade de te agarrar, porque para mim, o amor não arrefece. Sou feita de carne e osso, tho problemas e tenho tanta dedicação para dar a quem amo. Sou feita de flores e tu não viste isso. Há flores com picos, lindas, é só cuidar com muito cuidado para não nos picarmos e para as manter bonitas. Sabes o que lhes acontece? Crescem, desabrocham e são felizes. Sou feita de aço por fora, mas por dentro tenho o coração à espera de ser amado e cuidado. Cuidaste e abandonaste.o. 
Fizeste.me acreditar que ele, apesar de ainda estar pequenino pelo mal que passou ia aumentar tanto que podia dar.me outras vidas vindas de nós. Fizeste me crer que a força que vi em ti, junto com a minha, iam passar qualquer furacão, fizeste.me acreditar e bem que havia coisas em mim que devia tentar mudar. Aceitei e procurei ajuda. 
Criaste um canteiro lindo para a tua flor, regaste.o e quando viste que algumas pétalas dela estavam murchinhas, n a regaste mais e deixaste.a morrer à sede.
Sabes o que se faz às plantas que morrem à sede? 
Imagina uma flor que gostes muito, faz.lhe exatamente isto e vais perceber o que digo.
Sou muito boa, posso ter defeitos mas acredita que perdeste uma bonita flor, que só precisava de cuidados especiais, como todas, mais água, mais luz, um lugar confortável e acolhedor e um dono que a protegesse quando o mau tempo viesse, no caso das de rua.

Morreu

domingo, 12 de março de 2017

Feliz

   Estar ou ser? Os clichês estão lá todos, "vem de dentro para fora", "não procures que encontras", "ninguém está sempre feliz", "na vida há momentos de felicidade, não há felicidade".
   Certo e sabido é dizer-se, ou eu digo que ser feliz é ser doido, ou que que quem é doido é mais feliz.    Não vejo felicidade nas linhas retas, os cabelos penteados, as horas contadas, os lugares de estacionamento.
   A cada dia que passa me certifico do que não quero ser nem ter, se calhar isso é ser DOIDA, ou se calhar é ser mais feliz.

sábado, 6 de agosto de 2016

Sem saber

...não sabia que a sensibilidade era feitiço, que a sinceridade vinha DEScamuflada, que a especialIDADE vinha só.
Silêncios, ausências do tudo, talvez apenas princípios comuns, opiniões, visões.
Talvez os sonhos ecoem vozes, a realidade fique fosca, talvez...
Jeito de ser gentil, determinado, descoberto de adulTEZ, simpatia e charme. Palavras acertadas, conversas para além do trocar letras.
Eternidade de sonhos a nadar, temos.
Desprovida de ridículos, encheu.se daquilo em que pensava.
Não sabia que tinhas tantas cores.


sábado, 19 de março de 2016

Sopas

   Quando a capa é impermeável mas o interior se enche de tudo, quando te inundam das coisas menos boas. Quando tens a certeza de que contando contigo chegas a todo o lado, és tudo e porque só confiando em ti e nas tuas capacidades te enalteces.
Quando o ser humano te mostra que existem sempre sopas julianas dentro de cada um, quando te permitem que tenhas acesso a todos os ingredientes e descobre que afinal não gostas assim tanto de sopa. Porque afinal aquele alho francês não deixava só o mau perfume no teu carro. Afinal, no final, aquele legume era responsável por todo o mau sabor. 
   Comeste três colheres, foi o que a professora te obrigou, mas depois, sorrateiramente deitaste-a fora.
   

As sopas más também ajudam a crescer

segunda-feira, 14 de março de 2016

Pré 30

     Ao encostar a cabeça, quando a pousas, crias, repensas, relês, revives. Os sonhos estão lá todos, a alma não desmaia. Acreditas tanto que voas com eles, imaginas, crias, vives, lês, pensas...imaginas-te, abraças-te, espreguiças-te, adormeces-te.
    É o que chamam esperança, chamam acreditar. Acredita, imagina-te, faz o que estiver à distância do teu esticar de braço mas não tombes . Não arrisques cair se não houver amparo. Dedica-te, és livre, mas dedica-te a ti. Olha, mas olha primeiro para ti: primeiro estás tu, depois tu e só depois os outros. Não te importes com o egoísmo, temos acesso a tudo, temos acesso ao brilho e ao baço, ao amor e ao ódio, à aprovação e reprovação, ao altruísmo e a esse. 
   Desacredita para poderes acreditar. Deixa-te adivinhar, sem que deixes de comunicar.

Vive, não te ancores...
...nem largues a corda.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Permite-te

   Permite o olhar, o vagar, permite-te sentir e viajar. Permite-te procurar, permite-te encontrar, permite os olhares, permite os elogios e as boas palavras, permite as frases doces, permite a sabedoria da experiência e a alegria da idade.
   Permite-te crescer, bagunçar, mudar, permite-te o silêncio.
   A menina já não mora aí, deixaste-a adormecer. Acorda-a para rir, para chorar, acorda-a apenas quando tu estiveres acordada.
   Não peças permissão aos outros...
   Permite-te sentir, permite-te.

terça-feira, 21 de julho de 2015

ALdeia

     Ainda me crias dúvidas e suscitas lembranças eternas. Chego a ti e respiro sempre fundo, tão fundo que a ventoinha do meu cérebro imediatamente o refresca e faz chegar memórias. Tenho em ti todas as memórias da minha infância, foste rainha de mim e daquelas miúdas pequenotas e cheias de sonhos que me acompanharam.
    Hoje, sem engano, hoje passei no teu largo e só se ouvia vento, calmo, folhas que deambulavam rente ao chão como penas, não há rasto de outros tempos. O "ZéJaquim" está fechado e já sem gelados frescos para estas noites, a "Tininha" tem a porta pronta para abrir só amanhã, os "Velhotes"dos bancos já faleceram e a "Senhora dos tanques" nem se ouvia. 
     Fizeste-me lembrar dos cigarros às escondidas, atrás, ou à frente da igreja, porque o nosso atrás, era a frente dela, virada mesmo para a estrada que me faz chegar a ti, agora só às sextas, ou nas férias, ou até quando o rei faz e não faz anos.
    Fizeste-me lembrar as miúdas, as risadas, as piadas, as alegrias e os sonhos, os delas e os meus, fizeste-me lembrar que a distância dói quando a saudade aperta, fizeste-me lembrar que amanhã, mesmo que deseje muito vais estar de novo despida de gente, à noite, com tanta pena que tenho.
     Fizeste-me lembrar de ti mais velhota, de um "Coreto" eterno para onde trepava com a força que me deste. Fizeste-me lembrar que te apresento sempre com um sorriso, com o coração meio cheio e meio vazio, cheio de coisas passadas e tão vazio das presentes. Sobrevives dentro de mim pelo que já foste, quando as miúdas cá andavam aos molhos.
    Quero dizer-te que o teu rio ainda me encanta, que sem olhos ou até sem água ainda me faz companhia, que me deste alento para decisões e novas partidas, que me abraçaste na chegada e que ainda me iluminas os pensamentos.
      És a filha da minha cidade ou a mãe, enquanto sou só filha podes ser tu a mãe, depois trocamos de papel. Pode ser?

GOsTA-te sempre muito!

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Cuidar

   Só tudo regado cresce e se torna forte. Só o carinho e o afeto alimentam as plantas cultivadas.
   Não dês à nova planta uma água de outra, suja e contaminada de viroses que a vão fazer ficar fraca, não lhe dês alimentos envenenados. Cuida dela com paixão, se vires que lhe deram algumas dessas coisas rega-a com coisas boas. Dá-lhe mimos e atenção e se ainda assim ela parecer não dar flor...continua. Não desistas nunca dessa plantinha.
   Com uma água limpa e tempo ela filtra o que não era bom e renasce.
   Se desistes ela morre, as raízes apodrecem e ela nunca mais se torna forte.
   Deixa-a filtrar o que não presta e vais ver que um dia colhes dela as flores mais bonitas e os frutos mais saborosos que já experimentaste.


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Since

    Tu não pedes nem programas, tu não dizes sem sentir e não sentes sem dizer. Tu tens um jeito de ser diferente do diferente, tu chegas-me de jeitos que ninguém parece conseguir, a voz ecoa serena, embala-me com ternura e me aquece com paixão.
    Deixas-te, deixas-me e deixas-nos surpreender pela felicidade de sorrir sem querer até e sem nos darmos conta. 
    Completas-me simplesmente, o simples é tão fàcil de interpretar e compreender, diria que os meus mais pequenos aprendizes saberiam decifrar e terminar as palavras complicadas dos adultos. 
  

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Falta

   Nem sabia de títulos, sobre títulos, porque nem há nomes que se encaixem em sentimentos prolongados que derretem as vontades, estragam os sonhos e evitam motivações, bloqueam as palavras, deixam de nos deixar ouvir os conselhos, coisa que, diga-se a verdade, já nem aquece e muito menos arrefece.
  Otimismo, esperança, força, paciência, preserverança, coragem, luta, proatividade, simpatia, aceitação...são palavras suficientes para encher o coração e todas as bolsas que podem explodir. Falta de paciência e até falta de Sol, interior e exterior.
   Notícias ao minuto sobre a emigração e a procura de condições de vida, não de melhores, mas de condições. Famílias que se desintegram, amigos separados, relações cortadas, mas uma vida nova, a verdade é que a vida nova pode trazer o que aqui nem existe.
 Falta de respeito é quase a passWORD para entrar em Portugal, falta de respostas a currículos, não respostas após entrevistas, um desligar completo pelo outro.
   Indignação, vontade de mandar tudo ao ar. Faltou já muito mais, mas que pena, um país tão cheio de beleza, boa comida, bom tempo, boas águas. 
   Boa sorte para os que já foram e muita mais sorte para os que ainda cá estão, que ainda nadam por aqui sem saber bem para que ponto cardeal.


  

  

terça-feira, 15 de abril de 2014

CoMANDOs

   Se a simplicidade me comandasse eu ia até ao fim e não ficava à espera dos nãos. 
   Se a simplicidade fosse um sorriso tu eras simples.
   Se a simplicidade andasse de mãos dadas com a lua, ela era o meu baloiço, embalava sem sobressaltos. 
   Se tu, simplicidade, fosses mais fácil, ou se eu fosse tu, simplicidade, era leve e destemida.
   Se eu te conhecesse simplicidade eras minha amiga, eras aquela amiga que nunca escolhi.

   E por falar de escolhas, simplicidade, tu tens contigo cidade que eu comigo não tenho. Tu tens essa cidade que nunca largas, eu tenho-te a ti, longe daqui agora, mas perto sempre em pensamento. 
   Se tivesses cor simplicidade eras desta cor que te escrevo e descrevo. Se algum dia eu te tocar, simplicidade, deixa-me viajar contigo.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Empoleirar

    Dizia ele que se nos empoleirarmos num galho onde já pousámos as coisas não vão ser as mesmas. Não vão mesmo, os poisos já foram outros, os voos já levaram e trouxeram viveres. A experiência, esse polissílabo que começa a fazer tanto sentido, aparece ao fim de umas chuvas.
    O galho é bonito e sereno, nos galhos vizinhos há colos verdadeiros, cantam os pássaros todas as manhãs e o rio ainda não secou, mas e...mas e a vida? Parece que para, parece que parou quando olho lá para baixo, os que pousavam no mesmo galho já não andam por ali, voam agora noutros campos. Tive de voltar a pousar, raízes não prendem almas disso já percebi, falta agora ter a certeza que não prendem corpos e depois as asas começarão a ser mais leves.
   Fará sentido sentir que valeu a pena mais uma mudança, poder conseguir transformar saudade em vida vivida, poder criar um livro de vidas, sem escrever palavras, desenhando apenas pegadas coloridas com fundos bem diferentes em cada página. 
   Voltar ao galho as vezes que forem necessárias para poder partir livre para as páginas brancas. Levo-te sempre e nunca hei de achar-te desusado

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

       Eram bolas soltas, coloridas, que se moldavam com cada passagem, com cada calcamento, cada pisada, sem os ser. 
       As bolas já não eram bolas e já não estavam separadas como qualquer coisa que se baralhava e confundia consigo própria. As bolas já eram bocados de cor definidos, com um espaço seu, arrumadas sem grande organização perfeita.
      Cada bola era uma coisa que queria ser, com o calor humano, com as experiência das mãos elas ganhavam a forma que mais queriam nos momentos que mais queriam.
    Com cada uma se não via outra, elas eram fortes, com personalidades únicas, eram interessantes, cativantes, eram aquilo que queriam ser.
      Saíram da caixa, conseguiram saltar dali, mas...
         Nem sempre é tão bom assim sair da caixa, ou antes, nem sempre é bom não poder escolher a caixa e escolher poder voltar. O bom só se pode ver quando não se vê só o mau e quando se sabe não ver o mau. Nessa altura, pode-se colocar cada cor em cada espaço, pode-se baralhar, envolver mas cada bola solta nunca perde a essência.
          Chama-se vida!


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

IN-DES-A- palavras

    Desdizer, desfraldar, defraudar, des e des, são tantos que tem dias que o nosso corpo é uma mola mas com a imensidão deles, que parece que acompanham as modernas tempestades, conseguem penetrar a pele em outros tantos dias.
   As despalavras (são assim chamadas agora por ela) ou as desinterpretações, talvez, caem sem fundo que ampare e deixam rasto. Ainda nem toda a gente consegue criar a barreira que as afasta, as despalavras, a menina não conseguiu ainda. 
   Será que senhoras todas a têm? Dentro da mala, na bolsa do batom ou junto aos ben-u-rons?
   Talvez uma aula de palavras bonitas ajudasse aos que não pegam nelas e nem as espalham sem pensar e ver a direção. Também a desinterpretação das palavras merecia uma aula, as duas cabiam bem nas aulas da maturidade senhoril, nas aulas de "Educação para a sabedoria".
   Sugeria de bom grado este tema ao senhor ministro, que de senhor tem tão pouco.


Cuidado, palavras fazem doer!


domingo, 12 de janeiro de 2014

   Que venha, trazer o Mar de Lisboa, que venha puxar os sorrisos, preencher as bolsinhas de alimento, as almas de sopros cheios.
  Os líquidos confinados a lugares só seus, desenham noites secretas que entregam as chaves às memórias dos que os envolvem em suas vidas.
   As vozes que se fazem ouvir sem nunca pedir ecoam palavras pelo meio de assuntos soltos.
  Aqueles miúdos lá vão, vindos de tantos sítios, com suas semanas, em noites. Nessas noites o frio grita lá fora, o quente humano grita mais longe e as janelas separam conversas. Na rua fica o frio, lá nela o calor humano. 
   As idades envolvem-se em balburdias e tal como o azeite e a água, cada uma se mantém na sua, apenas porque a experiência, tal como a identidade é diferente.
   A ideia do "Mar", a ideia dos troncos de árvore tratados para ser ela, a ideia do chapéu a chegar à luz foi só sua. Do Senhor que fala aquela língua tão própria. Há línguas assim, nem todos lá chegam, nem todos a entendem, poucos, mas tão bons. É a língua ideal, a língua dos sítios puros.
   Lá já faltam gentes, mas as gentes sentem-se e presenciam-se ainda que sem peso e visão.
   Nunca se esquece o que sempre aparece.
   


     

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Rumos

    Quando os locais nos prendem, os cheiros nos agarram e as casas nos sorriem, às vezes esquecemo-nos do que nos fazem as pessoas. As pessoas que são mais frágeis e são mais fortes, são as responsáveis por tudo, por tudo o que se alcança com os sentidos, mas carregam tanto que nem se são conta.

    Nem se são conta do tempo, do que passa e do que não passa, nem se dão conta do que comem e não comem, do que abraçam e não abraçam, mas depois, em dias que não esperam, de mansinho aparecem vendavais que as abanam, que as fazem voar e procurar outros rumos, despem-nas de preconceitos, de palavras, de sentidos e deixam-nas livres.       Quem já foi despido sabe o que é, outros nem tanto, como aqueles a quem o vendaval chegou para fazer lembrar que o valor das pessoas é incalculável, que a vida é pequenina, frágil, redondinha e brilhante. Que, nem todas, mas que algumas, poucas, fazem parte de nós e não da vida, estão em nós, estão no nosso carro, estão nos caminhos, nas bebidas, nas roupas, nas palavras, nas decisões, nas figuras, nos pensamentos e no coração. Essa caixinha...
    Tu moras na minha caixinha, eu às vezes não a abro, porque sou pessoa, preciso ser despida, mas despida por um vendaval bonito e de coragem. Há ventos que assobiam, que nos embalam e sossegam de noite e outros que nos acordam. Tu trouxeste dos dois, há lugares que agora são meus mas que foram e serão teus, há pessoas que agora são minhas, foram e serão tuas, há agora filosofias e pensamentos que partilhámos que agora são nossos.
     Tu foste dos homens que me mostrou que existe sensibilidade e coragem, se hoje sei o que são desafios agradeço-te. É urgente sabermos que tudo tem de ser vivido intensamente, é urgente aprender que nunca nos podemos esquecer de agarrar a vida, perder o medo de dizer que gostamos ou de elogiar aquelas que sentimos que merecem, porque um dia os pássaros voam, precisam de fortalecer as asas e procurar alimento mais doce, soltam-se dos ninhos e pousam noutro lugar.
     Se eu pudesse o meu passarinho tinha um cordão invisível, era essencial já que isso sim é o invisível, quando eu pudesse puxava e ele sem magoar o seu pescoço traria-o de volta, só para lhe dar uma festinha terna, adormecê-lo no meu ombro, dar-lhe o meu calor e uma palavrinha de coragem.
     Mas sabes, eu atei-te esse cordãozinho, tu nunca o vais ver, mas quando precisares de o puxar vais encontrá-lo mesmo à mão, nessa altura e ao mesmo tempo eu vou puxá-lo do outro lado e se o contrário acontecer tu também vais puxar no sentido contrário ao meu.


É desses cordões que vivem as amizades que nunca morrem, TU, até hoje só tu e o meu Pipocas me fizeram realmente perceber o que é ter uma companhia que queremos nunca perder e que sentimos um aperto quando não está.

Vou puxar sempre o teu cordão, meu querido passarinho...



    

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

A ti, CiDaDe

     Entraste e não pediste licença, era menina, era menina de encostar a mão pequena na que me conduzia pelas tuas ruas compridas, agitadas, cheias de gentes diferentes, cheias de lojas e com cheiros nunca iguais. A minha aldeia ficava no sítio dela e eu nunca a esqueço, é o ninho do meu corpo e da minha alma. 
     A vida foi passando, nunca deixei de te visitar, no outono o cheiro das castanhas por entre a chuva, no Natal as luzes enchem-te de cor e magia, no verão os turistas que por ti deambulam enchem as esplanadas das tuas mirabolantes colinas. O rio que orienta desconhecidos, que te ampara e sossega da agitação ao cair da noite.
     Na altura das primeiras cervejas, da capa preta em ombros, das viagens de horas diárias passaste a ser a minha professora, ensinaste.me tanto sobre tudo. Fiz uma pausa e experimentei outra da tua família, mas não, não me apaixonei por ela como por ti. Amor só há um e não é verdade, mas que o resto é paisagem é indiscutível. 
    Depois dos fins de semana que por aí andei, das noites que por aí sonhei ficaste a fazer parte dos dias e eu passei também a ser tua professora. Trocávamos diariamente ensinamentos e aprendizagens saudáveis. Conheci-te melhor, de fio a pavio duvido que alguém o consiga. És grande e uma grande cidade, dentro de ti mora a luz, mora o fado, moram os bairros mais bonitos que hei de visitar, dentro de ti moram as praças históricas, moram empresas e empresários, dentro de ti mora os estendais e os vasos nas janelas, dentro de ti moram os candeeiros que me arrepiam. 
     Agora migrei para o mar, que tanto me aquece, ficas perto na mesma, ficas sempre no teu lugar. De cada vez que te visito te REdescubro, tens uma rua minha, essa não me tiram, tens uma casa minha, tens a minha saudade, querida cidade.



     

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Lugares e momentos

   Numa madrugada calorosa, num início de dia, abrem-se portas para o entrar de corpos cheios de expetativas, mentes abertas, corações saltitantes.
   Aquela era mais uma aventura, o avião descola e provoca a primeira magia, a cidade bonita fica lá em baixo, com o nascer da luz própria da terra. Algumas, poucas horas e o chão era outro, o cheiros começavam a chegar aos narizes apurados, a sinalização, as cores, as pessoas, a língua, a moeda, os gestos mudam. É hora começar a integrar, a comparar dinheiros, a colher os frutos. Carro novinho e a brilhar, a primeira missão era descobrir o primeiro poiso de descanso, perceber aquela capital, olhar para um monte de linhas que se cruzam, de várias tonalidades e VIAJAR.
   Não foi A cidade, aquela não. A imaginação voava mais alto que as nuvens vistas nos minutos anteriores e os KM aumentavam.
   Segunda cidade com um pouco mais de interesse e um mar a revelar-se, azul, verde, branco, transparente, apetecível, daqueles dos sonhos, dos contos de fadas, que cintilam e emanam energias.
   Terceiro poiso e uma costa deslumbrante, de recortes fortes, baías-marinas, barcos a deambular, dos pequenos, dos rápidos, dos imponentes, transportando pessoas claras, cabeças de um loiro amarelinho, morenas, pessoas apenas. Os olhos enchem-se de brilho e começa a sentir-se o calor das rochas pequenas e pulidas que ligavam as águas azuis à terra verde. Valia a pena não pisar areia, valia a pena parar o carro de cinco em cinco minutos para fazer mais um click no botão que fazia imortalizar o momento. História da antiga, o império era mesmo forte, deixou vestígios por tantos lugares, naquele não foi exceção, lá estava um anfiteatro bem conservado, com aqueles arcos caraterísticos, aquelas colunas elegantes e aquelas cores de paz.
   A serenidade da companhia fazia encantar os momentos, as conversas, as garaglhadas e brincadeiras. Há quem saiba não deixar de ser criança mesmo sendo adulto, crescer e manter um pedaço dos quinze anos.
  Por falar em quinze anos, aquela idade em que não se pensa muito, em que se faz por que se quer fazer, porque simplesmente apetece e até se esquece existir um mundo à volta, essa mesmo. É essa a idade da pureza delicada e das borboletas que se voltam a sentir com quase o dobro da idade e que só nessa se percebe que nome se podia dar àquilo.
  Nas descida, daquela vez para o interior, a uma distância ouvia-se falar brasileiro, discutiam-se assuntos de interesse comum, numa mesma língua, mais cantada apenas, enriquecia-se a mente e o espírito. Ali chovia, estava fresco e ao entrar numa das beldades do mundo UNESCO eis que se abre uma gaveta do coração para guardar tudo o que ali se podia avistar. Cascatas das cores de verdade, rios e riachos a envolventes e envolvidos, peixes e patos felizes que nadavam com a calma que nunca se havia visto antes. Pássaros que faziam esvaziar toda a caixa de pensamentos e ainda os lançavam para um sítio que nunca se descobre. Era um lugar mágico, era tudo o que tinha passado na imaginação, era um lugar de eleição e perfeição, numa palavra apenas, eleiprefeição, se assim se puder inventar.
  Ali era permitido voar, ali era permitido respirar um ar doce, um cheiro ameno.
  Dois dias naquela dimensão para depois se descer ainda mais até chegar a uma cidade. Com um caminho de conhecimento, ajudou-se a chegar lá, aqueles dois rapazes desprendidos de muita coisa, mas com um skate que lhes pertencia mais que tudo.
   Com novas companhias, sons mais familiares se passou um serão de risadas e partilhas, naquela cidade dentro dum palácio de "gestor" do império, agitada, com jovens acompanhados de bebidas, conversas num tom mais alto.
  Nova manhã e partida para uma ilha, duas horas num ferry e chegada a um hotel que aparentemente o era assim só, um hotel. Pousando bagagens e respirando o silêncio se apura o ouvido, água, seria uma piscina ali? Parecia mar, mas a lua não iluminava aquele espaço e queria deixar que fosse o sol supreender. Um acordar diferente, ali ficava uma baía privada e a primeira tarefa daquela manhã foi mergulhar, foi um outro lugar, um outro momento inesquecível. 
   E alugar um barco por conta própria um dia inteiro? Foi a segunda tarefa, algumas Kunas e ali nas nossas mãos, mãos que nunca haviam experenciado um motor marinho, mas que rapidamente se adapataram ao trânsito do Adriático.  
   Sensações de liberdade, borboletas que nadavam nas barrigas como os peixes naquele fundo. Saltos sem aviso para mergulhar naquele sal infindável, visitas a ilhéus só nossos por instantes, um dia de filme.
   Para despedida e que grande despedida, a cidade atacada em MCMXCI, com poucos vestígios de bombas ou tiros, mas antes, atravessar a fronteira da Bósnia Erzegóvina, era obrigatório andar poucos quilómetros em outro país.
   O bar construído em rochas, mesmo pertinho do mar foi especial, nostaligia se enraízou, pena de desentrelaçar a minha linha com as linhas fortes, seguras e belas com que a cruzei nesta viagem fantástica.

"Não há homem completo que não tenha viajado muito, que não tenha mudado vinte vezes de vida e de maneira de pensar." Alphonse de Lamartine


Obrigada pela grandiosa companhia criança grande, obrigada por me ajudares a sonhar!