Que venha, trazer o Mar de Lisboa, que venha puxar os sorrisos, preencher as bolsinhas de alimento, as almas de sopros cheios.
Os líquidos confinados a lugares só seus, desenham noites secretas que entregam as chaves às memórias dos que os envolvem em suas vidas.
As vozes que se fazem ouvir sem nunca pedir ecoam palavras pelo meio de assuntos soltos.
Aqueles miúdos lá vão, vindos de tantos sítios, com suas semanas, em noites. Nessas noites o frio grita lá fora, o quente humano grita mais longe e as janelas separam conversas. Na rua fica o frio, lá nela o calor humano.
As idades envolvem-se em balburdias e tal como o azeite e a água, cada uma se mantém na sua, apenas porque a experiência, tal como a identidade é diferente.
A ideia do "Mar", a ideia dos troncos de árvore tratados para ser ela, a ideia do chapéu a chegar à luz foi só sua. Do Senhor que fala aquela língua tão própria. Há línguas assim, nem todos lá chegam, nem todos a entendem, poucos, mas tão bons. É a língua ideal, a língua dos sítios puros.
Lá já faltam gentes, mas as gentes sentem-se e presenciam-se ainda que sem peso e visão.
Nunca se esquece o que sempre aparece.

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