segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Since

    Tu não pedes nem programas, tu não dizes sem sentir e não sentes sem dizer. Tu tens um jeito de ser diferente do diferente, tu chegas-me de jeitos que ninguém parece conseguir, a voz ecoa serena, embala-me com ternura e me aquece com paixão.
    Deixas-te, deixas-me e deixas-nos surpreender pela felicidade de sorrir sem querer até e sem nos darmos conta. 
    Completas-me simplesmente, o simples é tão fàcil de interpretar e compreender, diria que os meus mais pequenos aprendizes saberiam decifrar e terminar as palavras complicadas dos adultos. 
  

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Falta

   Nem sabia de títulos, sobre títulos, porque nem há nomes que se encaixem em sentimentos prolongados que derretem as vontades, estragam os sonhos e evitam motivações, bloqueam as palavras, deixam de nos deixar ouvir os conselhos, coisa que, diga-se a verdade, já nem aquece e muito menos arrefece.
  Otimismo, esperança, força, paciência, preserverança, coragem, luta, proatividade, simpatia, aceitação...são palavras suficientes para encher o coração e todas as bolsas que podem explodir. Falta de paciência e até falta de Sol, interior e exterior.
   Notícias ao minuto sobre a emigração e a procura de condições de vida, não de melhores, mas de condições. Famílias que se desintegram, amigos separados, relações cortadas, mas uma vida nova, a verdade é que a vida nova pode trazer o que aqui nem existe.
 Falta de respeito é quase a passWORD para entrar em Portugal, falta de respostas a currículos, não respostas após entrevistas, um desligar completo pelo outro.
   Indignação, vontade de mandar tudo ao ar. Faltou já muito mais, mas que pena, um país tão cheio de beleza, boa comida, bom tempo, boas águas. 
   Boa sorte para os que já foram e muita mais sorte para os que ainda cá estão, que ainda nadam por aqui sem saber bem para que ponto cardeal.


  

  

terça-feira, 15 de abril de 2014

CoMANDOs

   Se a simplicidade me comandasse eu ia até ao fim e não ficava à espera dos nãos. 
   Se a simplicidade fosse um sorriso tu eras simples.
   Se a simplicidade andasse de mãos dadas com a lua, ela era o meu baloiço, embalava sem sobressaltos. 
   Se tu, simplicidade, fosses mais fácil, ou se eu fosse tu, simplicidade, era leve e destemida.
   Se eu te conhecesse simplicidade eras minha amiga, eras aquela amiga que nunca escolhi.

   E por falar de escolhas, simplicidade, tu tens contigo cidade que eu comigo não tenho. Tu tens essa cidade que nunca largas, eu tenho-te a ti, longe daqui agora, mas perto sempre em pensamento. 
   Se tivesses cor simplicidade eras desta cor que te escrevo e descrevo. Se algum dia eu te tocar, simplicidade, deixa-me viajar contigo.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Empoleirar

    Dizia ele que se nos empoleirarmos num galho onde já pousámos as coisas não vão ser as mesmas. Não vão mesmo, os poisos já foram outros, os voos já levaram e trouxeram viveres. A experiência, esse polissílabo que começa a fazer tanto sentido, aparece ao fim de umas chuvas.
    O galho é bonito e sereno, nos galhos vizinhos há colos verdadeiros, cantam os pássaros todas as manhãs e o rio ainda não secou, mas e...mas e a vida? Parece que para, parece que parou quando olho lá para baixo, os que pousavam no mesmo galho já não andam por ali, voam agora noutros campos. Tive de voltar a pousar, raízes não prendem almas disso já percebi, falta agora ter a certeza que não prendem corpos e depois as asas começarão a ser mais leves.
   Fará sentido sentir que valeu a pena mais uma mudança, poder conseguir transformar saudade em vida vivida, poder criar um livro de vidas, sem escrever palavras, desenhando apenas pegadas coloridas com fundos bem diferentes em cada página. 
   Voltar ao galho as vezes que forem necessárias para poder partir livre para as páginas brancas. Levo-te sempre e nunca hei de achar-te desusado

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

       Eram bolas soltas, coloridas, que se moldavam com cada passagem, com cada calcamento, cada pisada, sem os ser. 
       As bolas já não eram bolas e já não estavam separadas como qualquer coisa que se baralhava e confundia consigo própria. As bolas já eram bocados de cor definidos, com um espaço seu, arrumadas sem grande organização perfeita.
      Cada bola era uma coisa que queria ser, com o calor humano, com as experiência das mãos elas ganhavam a forma que mais queriam nos momentos que mais queriam.
    Com cada uma se não via outra, elas eram fortes, com personalidades únicas, eram interessantes, cativantes, eram aquilo que queriam ser.
      Saíram da caixa, conseguiram saltar dali, mas...
         Nem sempre é tão bom assim sair da caixa, ou antes, nem sempre é bom não poder escolher a caixa e escolher poder voltar. O bom só se pode ver quando não se vê só o mau e quando se sabe não ver o mau. Nessa altura, pode-se colocar cada cor em cada espaço, pode-se baralhar, envolver mas cada bola solta nunca perde a essência.
          Chama-se vida!


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

IN-DES-A- palavras

    Desdizer, desfraldar, defraudar, des e des, são tantos que tem dias que o nosso corpo é uma mola mas com a imensidão deles, que parece que acompanham as modernas tempestades, conseguem penetrar a pele em outros tantos dias.
   As despalavras (são assim chamadas agora por ela) ou as desinterpretações, talvez, caem sem fundo que ampare e deixam rasto. Ainda nem toda a gente consegue criar a barreira que as afasta, as despalavras, a menina não conseguiu ainda. 
   Será que senhoras todas a têm? Dentro da mala, na bolsa do batom ou junto aos ben-u-rons?
   Talvez uma aula de palavras bonitas ajudasse aos que não pegam nelas e nem as espalham sem pensar e ver a direção. Também a desinterpretação das palavras merecia uma aula, as duas cabiam bem nas aulas da maturidade senhoril, nas aulas de "Educação para a sabedoria".
   Sugeria de bom grado este tema ao senhor ministro, que de senhor tem tão pouco.


Cuidado, palavras fazem doer!


domingo, 12 de janeiro de 2014

   Que venha, trazer o Mar de Lisboa, que venha puxar os sorrisos, preencher as bolsinhas de alimento, as almas de sopros cheios.
  Os líquidos confinados a lugares só seus, desenham noites secretas que entregam as chaves às memórias dos que os envolvem em suas vidas.
   As vozes que se fazem ouvir sem nunca pedir ecoam palavras pelo meio de assuntos soltos.
  Aqueles miúdos lá vão, vindos de tantos sítios, com suas semanas, em noites. Nessas noites o frio grita lá fora, o quente humano grita mais longe e as janelas separam conversas. Na rua fica o frio, lá nela o calor humano. 
   As idades envolvem-se em balburdias e tal como o azeite e a água, cada uma se mantém na sua, apenas porque a experiência, tal como a identidade é diferente.
   A ideia do "Mar", a ideia dos troncos de árvore tratados para ser ela, a ideia do chapéu a chegar à luz foi só sua. Do Senhor que fala aquela língua tão própria. Há línguas assim, nem todos lá chegam, nem todos a entendem, poucos, mas tão bons. É a língua ideal, a língua dos sítios puros.
   Lá já faltam gentes, mas as gentes sentem-se e presenciam-se ainda que sem peso e visão.
   Nunca se esquece o que sempre aparece.