terça-feira, 11 de junho de 2013

Pessoas

   Aquecem a alma, baralham-na, libertam sorrisos e gargalhadas, palavras com sons que ecoam dentro e fora de espaços. Espaços fechados e o espaço do ar. São livres como as cegonhas que se exibem lá nos altos dos postes alentejanos, esses que ontem vi com um cenário cor de rosa, um rosa indecifrável e alaranjado que aparece e adormece em minutos.

   Gosto de as conhecer, de reconhecer, de aprender e ensinar através dos olhos, dos gestos, dos passos que damos juntos, gosto de as voltar a ver, de perceber quais as que quero ter sempre, as que não são para todos os dias, as que podem ausentar-se e as que jamais podem emigrar do pensamento. Está a fazer um ano que o tempo voa com uma leveza de pena num dia de vendaval eterno, que o vazio se aloja lá na sua gaveta, aquele cujo puxador está mal aparafusado e foram elas (as pessoas) que, por vezes, conseguiram ajeitar o abanar do puxador, fazer uma visita e misturar pós de alegria.

   Conheci de todas, de maneiras diversas e situações inesperadas, é por isso que ser-se humano é viver, foi isso este ano, foi vida, foi viver para refletir, para aprender a esperar com mais calma, para procurar mais sem esperar olhando para longe. 


   
  ÀS pessoas dos pós um abraço corajoso


segunda-feira, 15 de abril de 2013

Companhia

 
   Eis que tudo muda e que o ditadinho parece que ganha sentido..."Nunca digas nunca".
   A rapariga e a mãe não gostavam de gatos, mas a solidão às vezes prega-nos partidas e a mãe, numa certa altura de menos afazeres, sentio vontade de ter um animal de estimação.
- Um gatinho branco, gostava de ter um, mas branco!
   A filha correu tudo e com todos falou até conseguir o tal. Era mínimo, peludo, branquíssimo, frágil, assustadísso. Miou a viagem toda, Lisboa-Ota, nessa noite pregou a sua primeira partida, escondeu-se dos humanos, tão bem escondido que todos achavam que tinha desaparecido. A dona mais nova saiu à rua de carro, chamava por ele e nada...
   No dia seguinte, pela manhã, já se ouvia miar e então apareceu a bolinha peluda. Ninguém naquela casa se ajeitava bem com o novo membro, medo de pegar, dúvidas de como alimentar e educar, receio de assustar. Não foram precisos meses, mas dias até o pai e a avó daquela família começarem a adorar a criatura. A vida dele era uma perfeita alegria, fazia o que queria, ora estava dentro de casa, ora saía para passear e arranjar as suas namoradas, ora visitava a família vizinha.
   Cresceu a uma velocidade estontiante e tornou-se numa bolinha maior, fofinho, sereno, amigo, delicado, apaixonante. Não passava indiferente aos olhos de ninguém, tinha uns olhos verdes cintilantes que condiziam com a sua caminha.
   A dona mais velha mimava-o com prendinhas semanalmente, aos fins de semana a mais nova procurava-o de imediato assim que chegava à aldeia. Todas as noite, lá esperava a menina à porta para entrar, pedir comida e receber umas festinhas antes de uma bela noite de sono. As manhã eram uma procura de novidades, chamava o homem da casa para lhe abrir as portas para o mundo e geria o resto do dia como bem entendia.
   Gostava de COMPANHIA, procurava sempre estar onde estavam os seus donos, o sofá era mais ou menos proíbido, mas os tapetes e as mantas ao lado da lareira eram lugar certo dum serão descansado.
   Quando algo o esperava lá fora, voltava a pedir para sair e aparecia com o seu olá à janela da sala mais tarde.
   Desapareceu uns dias, foi-se divertir e conhecer novos lugares. Apareceu sujo e muito magrinho. Dias depois voltava a engordar e a passar o seu lindo pêlo por onde andava. Até que, sem se saber como nem porquê, adoeceu. A dona pequenina tinha sabido pela mãe e quando o viu o estado era grave, não conseguia caminhar, vomitava e nem os olhos seguiam qualquer coisa.
  Foi o início de um fim triste para todos, ele nunca saiu da lembrança nem dos corações daquela família, ficou lá na mesma, sossegado, num sono profundo e leve ao mesmo tempo, como sempre tinha.
 
  O seu nome era Pimpão, também o tratavam por Pipocas e recentemente por Pimpas, continua a ser um amor, a nossa companhia serena e meiga, quando se gosta muito de algo não há morte!

Sinto saudades da tua presença física, mas estás aqui mesmo ao lado. És muito importante para mim.

terça-feira, 26 de março de 2013

(DESEN)Rumores

   Notícias escritas, lidas, ouvidas. DIARIAMENTE. Novidades péssimas. CONSTANTEMENTE. E não é que são mesmo verdade, que digam os que estão mais de DUAS HORAS, quinzenalmente, para mostrar um papel e dizer um bom dia, não ouvido, para depois sairem dali a dois minutos. Duas horas para dois minutos de perfeito silêncio.
  Crise, em todos os aspetos, até nos humanos, as condições a que submetem pessoas, a forma mal organizada com que os olhos do povo os veem é escandalosa. Em pouco mais de poucos metros quadrados estão três mulheres, todos os dias, a atendê-los até esgotarem as senhas, a seguir o papel plastificado é colado (Por motivos....esgotaram por hoje...se houver algo em contrário...voltarão), queixas, desesperos, prioridades, lamentações, dúvidas de um país virado do avesso. E se ao menos as coisas se limitassem a ficar dentro do ecrã, ou se carregássemos no ON pela segunda vez e se fizesse silêncio. Ecoa na cabeça de uns e na carteira de tantos.
   O cheiro a respiração e mais palavras que rimam paira no ar, um desses que não circula...
 
Renovem este ar português.

segunda-feira, 4 de março de 2013

     Eu começo a entender o que quero, quero o que for para ser meu, o que estiver guardado só para mim, quando for para ser, com verdade, com honestidade, com entrega, com dedicação, com amizade e cumplicidade. Tudo a que tenho direito, tudo o que mereço e sei dar em troca.
    Até lá, vou cada vez mais certificar-me de que só assim fará sentido, o meu sentido!
    Depois de reflexões, dias de entrar para dentro dela e dele, de conversar com aqueles que veem de forma aberta, clara, depois de ter dado tempo ao tempo, de me ter enchido de mim, como diz aquela minha amiga, concluí, aliás vou concluindo (porque o gerúndio nos ajuda muito) que é para ser quando FOR.
    Conhecer, explorar, diambular, criar, amargurar, orgulhar, olhar, VER e SENTIR.

 

domingo, 12 de agosto de 2012

Viagens

  Foi e de novo descobriu o quanto a aventura e a adrenalina fazem parte de si, fazem parte das viagens, do mundo e da liberdade.
  Uma sensação única, andar pelos caminhos meio incertos sem conhecer os destinos. Que bom que é, que maravilhosa foi aquela viagem.
  A loucura começou ainda em terras portuguesas, com um momento que não se pensava sentir, a perda de um avião.
  Resolvido o assunto debaixo de burocracias e tempos que não se entendem nem justificam elas partiram para outro destino: Casablanca. Ficou a terceira, com muita pena e tristeza, mas ela vai estar, já hoje!
   Aeroporto vazio, língua não decifrável, pessoas escondidas nas suas roupas e a moeda já não era  o euro. Caminhando de bagagens a estação apareceu, comboio para Casavoyager de meia hora, mais uma na mesma estação esperando novo para o destino: Marraqueche.
   Três horas num meio de transporte diferente do normal, o cheiro já pairava, a ansiedade e a sensação do incerto era apetitosa. Na mesma cabine, dentro da carruagem viajavam as portuguesas doidas, três muçulmanos adultos e duas crianças. Lá para meio da viagem as conversas foram surgindo, conversas em línguas que não se cruzam, aliadas a gestos e sorrisos sentidos.
   Por gestos a Sara, a outra, pediu-me um cigarro e quis que fumássemos as duas, a meio de duas carruagens, num lugar proibido em que o gesto também o era, "Ramadan", ela pedia para não dizer e com receio de tudo escondeu-se no WC. Ofereci uma chiclete para atenuar cheiros. Voltámos em silêncio.
  No destino, noite cerrada, missão cumprida, hotel à espera, cidade para explorar....aventura a começar...
  AMEI...
     

segunda-feira, 30 de julho de 2012

   Chegam as noites quentes de estar na rua até o João Pestana chegar, vêm as roupas leves e vão as pesadas ficar lá na gavetinha a aquecer para o inverno.
   Vêm os dias sem rumo, onde nos deixamos levar pelo vento e pelas marés, dedicamo-nos àqueles e àquelas que os dias cheios e o cansado foi deixando para mais tarde.
   Mas agora há a novidade, o quanto é bom mudar, o quanto é bom descobrir, mas desta feita é uma novidade meio turva e o ar condicionado não está a limpar bem o vidro.
   Afinal ainda não chegaram as MINHAS noites agradáveis de verão, a calmaria das férias e o desligar do preenchimento da cabeça, da alma e do corpo.
   Ele tem falado comigo, tem-me dito bem baixinho, às vezes alto também:
   - Sossega, calma, acredita, só assim eu também sossego, estou apertado, tu assim não esperas as noites calmas e elas também não querem aparecer!
   - Já te ouvi e estou a tentar...Acredita em mim que eu vou vencer.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

RE (solver), RE (volver), RE (ver), RE (nascer)

   Quando a maturidade surge, vêm as decisões de dificuldade, as responsabilidades dos atos e as CONSEQUÊNCIAS que podem doer. O medo dessa dor pode invadir a mente, percorrê-la e sair de mansinho, ninguém o ouve, ninguém o sente, mas ele saiu.
   A seguir vêm as ditas consequências que não passam disso.Não queremos magoar e...magoamos, não queremos pisar...pisamos...não queremos nada e queremos tudo.
   Serás a minha amiga futura, maturidade. Não me abandones, quero revolver, quero rever, resolver e renascer seja lá em que lugar for.

A ti, oninem