Eis que tudo muda e que o ditadinho parece que ganha sentido..."Nunca digas nunca".
A rapariga e a mãe não gostavam de gatos, mas a solidão às vezes prega-nos partidas e a mãe, numa certa altura de menos afazeres, sentio vontade de ter um animal de estimação.
- Um gatinho branco, gostava de ter um, mas branco!
A filha correu tudo e com todos falou até conseguir o tal. Era mínimo, peludo, branquíssimo, frágil, assustadísso. Miou a viagem toda, Lisboa-Ota, nessa noite pregou a sua primeira partida, escondeu-se dos humanos, tão bem escondido que todos achavam que tinha desaparecido. A dona mais nova saiu à rua de carro, chamava por ele e nada...
No dia seguinte, pela manhã, já se ouvia miar e então apareceu a bolinha peluda. Ninguém naquela casa se ajeitava bem com o novo membro, medo de pegar, dúvidas de como alimentar e educar, receio de assustar. Não foram precisos meses, mas dias até o pai e a avó daquela família começarem a adorar a criatura. A vida dele era uma perfeita alegria, fazia o que queria, ora estava dentro de casa, ora saía para passear e arranjar as suas namoradas, ora visitava a família vizinha.
Cresceu a uma velocidade estontiante e tornou-se numa bolinha maior, fofinho, sereno, amigo, delicado, apaixonante. Não passava indiferente aos olhos de ninguém, tinha uns olhos verdes cintilantes que condiziam com a sua caminha.
A dona mais velha mimava-o com prendinhas semanalmente, aos fins de semana a mais nova procurava-o de imediato assim que chegava à aldeia. Todas as noite, lá esperava a menina à porta para entrar, pedir comida e receber umas festinhas antes de uma bela noite de sono. As manhã eram uma procura de novidades, chamava o homem da casa para lhe abrir as portas para o mundo e geria o resto do dia como bem entendia.
Gostava de COMPANHIA, procurava sempre estar onde estavam os seus donos, o sofá era mais ou menos proíbido, mas os tapetes e as mantas ao lado da lareira eram lugar certo dum serão descansado.
Quando algo o esperava lá fora, voltava a pedir para sair e aparecia com o seu olá à janela da sala mais tarde.
Desapareceu uns dias, foi-se divertir e conhecer novos lugares. Apareceu sujo e muito magrinho. Dias depois voltava a engordar e a passar o seu lindo pêlo por onde andava. Até que, sem se saber como nem porquê, adoeceu. A dona pequenina tinha sabido pela mãe e quando o viu o estado era grave, não conseguia caminhar, vomitava e nem os olhos seguiam qualquer coisa.
Foi o início de um fim triste para todos, ele nunca saiu da lembrança nem dos corações daquela família, ficou lá na mesma, sossegado, num sono profundo e leve ao mesmo tempo, como sempre tinha.
O seu nome era Pimpão, também o tratavam por Pipocas e recentemente por Pimpas, continua a ser um amor, a nossa companhia serena e meiga, quando se gosta muito de algo não há morte!
Sinto saudades da tua presença física, mas estás aqui mesmo ao lado. És muito importante para mim.
Lá está! As coisas acontecem na nossa vida sempre por uma razão. Umas vezes chegamos a saber o porquê outras não! Há coisas que não se explicam! apenas se sentem!
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