Chegam as noites quentes de estar na rua até o João Pestana chegar, vêm as roupas leves e vão as pesadas ficar lá na gavetinha a aquecer para o inverno.
Vêm os dias sem rumo, onde nos deixamos levar pelo vento e pelas marés, dedicamo-nos àqueles e àquelas que os dias cheios e o cansado foi deixando para mais tarde.
Mas agora há a novidade, o quanto é bom mudar, o quanto é bom descobrir, mas desta feita é uma novidade meio turva e o ar condicionado não está a limpar bem o vidro.
Afinal ainda não chegaram as MINHAS noites agradáveis de verão, a calmaria das férias e o desligar do preenchimento da cabeça, da alma e do corpo.
Ele tem falado comigo, tem-me dito bem baixinho, às vezes alto também:
- Sossega, calma, acredita, só assim eu também sossego, estou apertado, tu assim não esperas as noites calmas e elas também não querem aparecer!
- Já te ouvi e estou a tentar...Acredita em mim que eu vou vencer.

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