domingo, 12 de março de 2017

Feliz

   Estar ou ser? Os clichês estão lá todos, "vem de dentro para fora", "não procures que encontras", "ninguém está sempre feliz", "na vida há momentos de felicidade, não há felicidade".
   Certo e sabido é dizer-se, ou eu digo que ser feliz é ser doido, ou que que quem é doido é mais feliz.    Não vejo felicidade nas linhas retas, os cabelos penteados, as horas contadas, os lugares de estacionamento.
   A cada dia que passa me certifico do que não quero ser nem ter, se calhar isso é ser DOIDA, ou se calhar é ser mais feliz.

sábado, 6 de agosto de 2016

Sem saber

...não sabia que a sensibilidade era feitiço, que a sinceridade vinha DEScamuflada, que a especialIDADE vinha só.
Silêncios, ausências do tudo, talvez apenas princípios comuns, opiniões, visões.
Talvez os sonhos ecoem vozes, a realidade fique fosca, talvez...
Jeito de ser gentil, determinado, descoberto de adulTEZ, simpatia e charme. Palavras acertadas, conversas para além do trocar letras.
Eternidade de sonhos a nadar, temos.
Desprovida de ridículos, encheu.se daquilo em que pensava.
Não sabia que tinhas tantas cores.


sábado, 19 de março de 2016

Sopas

   Quando a capa é impermeável mas o interior se enche de tudo, quando te inundam das coisas menos boas. Quando tens a certeza de que contando contigo chegas a todo o lado, és tudo e porque só confiando em ti e nas tuas capacidades te enalteces.
Quando o ser humano te mostra que existem sempre sopas julianas dentro de cada um, quando te permitem que tenhas acesso a todos os ingredientes e descobre que afinal não gostas assim tanto de sopa. Porque afinal aquele alho francês não deixava só o mau perfume no teu carro. Afinal, no final, aquele legume era responsável por todo o mau sabor. 
   Comeste três colheres, foi o que a professora te obrigou, mas depois, sorrateiramente deitaste-a fora.
   

As sopas más também ajudam a crescer

segunda-feira, 14 de março de 2016

Pré 30

     Ao encostar a cabeça, quando a pousas, crias, repensas, relês, revives. Os sonhos estão lá todos, a alma não desmaia. Acreditas tanto que voas com eles, imaginas, crias, vives, lês, pensas...imaginas-te, abraças-te, espreguiças-te, adormeces-te.
    É o que chamam esperança, chamam acreditar. Acredita, imagina-te, faz o que estiver à distância do teu esticar de braço mas não tombes . Não arrisques cair se não houver amparo. Dedica-te, és livre, mas dedica-te a ti. Olha, mas olha primeiro para ti: primeiro estás tu, depois tu e só depois os outros. Não te importes com o egoísmo, temos acesso a tudo, temos acesso ao brilho e ao baço, ao amor e ao ódio, à aprovação e reprovação, ao altruísmo e a esse. 
   Desacredita para poderes acreditar. Deixa-te adivinhar, sem que deixes de comunicar.

Vive, não te ancores...
...nem largues a corda.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Permite-te

   Permite o olhar, o vagar, permite-te sentir e viajar. Permite-te procurar, permite-te encontrar, permite os olhares, permite os elogios e as boas palavras, permite as frases doces, permite a sabedoria da experiência e a alegria da idade.
   Permite-te crescer, bagunçar, mudar, permite-te o silêncio.
   A menina já não mora aí, deixaste-a adormecer. Acorda-a para rir, para chorar, acorda-a apenas quando tu estiveres acordada.
   Não peças permissão aos outros...
   Permite-te sentir, permite-te.

terça-feira, 21 de julho de 2015

ALdeia

     Ainda me crias dúvidas e suscitas lembranças eternas. Chego a ti e respiro sempre fundo, tão fundo que a ventoinha do meu cérebro imediatamente o refresca e faz chegar memórias. Tenho em ti todas as memórias da minha infância, foste rainha de mim e daquelas miúdas pequenotas e cheias de sonhos que me acompanharam.
    Hoje, sem engano, hoje passei no teu largo e só se ouvia vento, calmo, folhas que deambulavam rente ao chão como penas, não há rasto de outros tempos. O "ZéJaquim" está fechado e já sem gelados frescos para estas noites, a "Tininha" tem a porta pronta para abrir só amanhã, os "Velhotes"dos bancos já faleceram e a "Senhora dos tanques" nem se ouvia. 
     Fizeste-me lembrar dos cigarros às escondidas, atrás, ou à frente da igreja, porque o nosso atrás, era a frente dela, virada mesmo para a estrada que me faz chegar a ti, agora só às sextas, ou nas férias, ou até quando o rei faz e não faz anos.
    Fizeste-me lembrar as miúdas, as risadas, as piadas, as alegrias e os sonhos, os delas e os meus, fizeste-me lembrar que a distância dói quando a saudade aperta, fizeste-me lembrar que amanhã, mesmo que deseje muito vais estar de novo despida de gente, à noite, com tanta pena que tenho.
     Fizeste-me lembrar de ti mais velhota, de um "Coreto" eterno para onde trepava com a força que me deste. Fizeste-me lembrar que te apresento sempre com um sorriso, com o coração meio cheio e meio vazio, cheio de coisas passadas e tão vazio das presentes. Sobrevives dentro de mim pelo que já foste, quando as miúdas cá andavam aos molhos.
    Quero dizer-te que o teu rio ainda me encanta, que sem olhos ou até sem água ainda me faz companhia, que me deste alento para decisões e novas partidas, que me abraçaste na chegada e que ainda me iluminas os pensamentos.
      És a filha da minha cidade ou a mãe, enquanto sou só filha podes ser tu a mãe, depois trocamos de papel. Pode ser?

GOsTA-te sempre muito!

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Cuidar

   Só tudo regado cresce e se torna forte. Só o carinho e o afeto alimentam as plantas cultivadas.
   Não dês à nova planta uma água de outra, suja e contaminada de viroses que a vão fazer ficar fraca, não lhe dês alimentos envenenados. Cuida dela com paixão, se vires que lhe deram algumas dessas coisas rega-a com coisas boas. Dá-lhe mimos e atenção e se ainda assim ela parecer não dar flor...continua. Não desistas nunca dessa plantinha.
   Com uma água limpa e tempo ela filtra o que não era bom e renasce.
   Se desistes ela morre, as raízes apodrecem e ela nunca mais se torna forte.
   Deixa-a filtrar o que não presta e vais ver que um dia colhes dela as flores mais bonitas e os frutos mais saborosos que já experimentaste.