terça-feira, 15 de outubro de 2019

2 meses e um dia

   Nunca a palavra saudade tinha feito tanto sentido. Sabia que a saudade era a palavra portuguesa, sabia que ficava bem no fado e nas cartas de amor, que era o voltar a casa e o desejo de estar. Só não sabia que era a eternidade do gostar muito e saber nunca mais tocar.
   Vives em saudade dentro de mim, todos os dias! Foste minha amiga, foste minha mãe, foste a minha costureira, cozinheira, professora, companhia, confidente, conselheira, foste o meu colo, foste o meu abrigo e o meu ninho. Foste a pessoa mais sensata, apaziguadora, doce e leve que conheci, nunca me desiludiste, nunca. A tua paciência não teve fim, inigualável é assim que te recordo.
   O dia que tanto temi havia chegado e estavas naquela casa, de sempre e para sempre a minha casa de eleição, ali tinha a paz e os mimos da minha infância, os cheiros, as melhores memórias. O cheiro da cera aos sábados, a melhor comida do mundo, o leite condensado nas latas, as gomas que me esperavam à sexta, a minha tia a dormir, para respeitar. As minhas histórias avó, que saudades da "menina que já levar o almoço ao pai", a tesoura pendurada, aberta e os ralhetes da neta.
Aquelas fitas de baloiço, a mesa da sala, as mantas brancas na festa, a luz que acendia a qualquer hora que fosse que se fizesse chegar o meu carro.
   Sempre soube o que eras para mim, nenhuma de nós precisou nunca de dizer muita coisa para sentir.
    Viverei sempre com a maior saudade de ti e desse colo de infindável conforto, minha mãe mais velha.
   O maior abraço do mundo é para ti.
 
♥️