terça-feira, 21 de julho de 2015

ALdeia

     Ainda me crias dúvidas e suscitas lembranças eternas. Chego a ti e respiro sempre fundo, tão fundo que a ventoinha do meu cérebro imediatamente o refresca e faz chegar memórias. Tenho em ti todas as memórias da minha infância, foste rainha de mim e daquelas miúdas pequenotas e cheias de sonhos que me acompanharam.
    Hoje, sem engano, hoje passei no teu largo e só se ouvia vento, calmo, folhas que deambulavam rente ao chão como penas, não há rasto de outros tempos. O "ZéJaquim" está fechado e já sem gelados frescos para estas noites, a "Tininha" tem a porta pronta para abrir só amanhã, os "Velhotes"dos bancos já faleceram e a "Senhora dos tanques" nem se ouvia. 
     Fizeste-me lembrar dos cigarros às escondidas, atrás, ou à frente da igreja, porque o nosso atrás, era a frente dela, virada mesmo para a estrada que me faz chegar a ti, agora só às sextas, ou nas férias, ou até quando o rei faz e não faz anos.
    Fizeste-me lembrar as miúdas, as risadas, as piadas, as alegrias e os sonhos, os delas e os meus, fizeste-me lembrar que a distância dói quando a saudade aperta, fizeste-me lembrar que amanhã, mesmo que deseje muito vais estar de novo despida de gente, à noite, com tanta pena que tenho.
     Fizeste-me lembrar de ti mais velhota, de um "Coreto" eterno para onde trepava com a força que me deste. Fizeste-me lembrar que te apresento sempre com um sorriso, com o coração meio cheio e meio vazio, cheio de coisas passadas e tão vazio das presentes. Sobrevives dentro de mim pelo que já foste, quando as miúdas cá andavam aos molhos.
    Quero dizer-te que o teu rio ainda me encanta, que sem olhos ou até sem água ainda me faz companhia, que me deste alento para decisões e novas partidas, que me abraçaste na chegada e que ainda me iluminas os pensamentos.
      És a filha da minha cidade ou a mãe, enquanto sou só filha podes ser tu a mãe, depois trocamos de papel. Pode ser?

GOsTA-te sempre muito!